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Nascido
em 14/10/1853, em Itanhaém
Faleceu em 31/05/1927, em São Paulo.
Observação: Itanhaém, ao tempo do nascimento
de B. Calixto, era conhecida por Vila de Nossa Senhora da
Conceição de Itanhaém, palavra que em língua indígena significa
pedra sonora ou pedra que canta.
Filiação: João Pedro de Jesus e Anna Gertrudes Soares.
Ascendência nobre (José Muniz, Cavaleiro Fidalgo da Casa de
D. João III), porém nascido em meio modesto.
ATIVIDADES
ANTERIORES AO RECONHECIMENTO:
Aprendeu o ofício de marceneiro
(devido às necessidades locais; pai ferreiro).
Foi
músico da Banda Musical de Itanhaém.
Ajudava
o vigário na Igreja Matriz de SantAna; pintava os ex-votos.
Executou
os primeiros presépios erigidos em Itanhaém.
Em
Santos, pintou tabuletas e paisagens nas paredes e tetos das
mansões.
Volta a Itanhaém e casa-se, aos 24 anos, com sua prima Antônia Leopoldina
de Araújo, casamento que durou exatos 50 anos.
Brotas nascem e morrem os três primeiros filhos.
1881 1ª exposição, em São Paulo, no Correio
Paulistano. Apesar de crítica favorável, não vende nenhum
quadro.
INÍCIO DO RECONHECIMENTO:
Casa da Fortuna (uma
casa lotérica), de Raimundo Curvelo, que encomendou a Calixto
um reclame mural. Pintou entre 2 portas a Deusa da Fortuna.
A imagem logo virou um sucesso.
Em
1882, faz a pintura do teto e do pano de boca do Teatro Guarani.
Entusiasmado com seu talento, Garcia Redondo (arquiteto responsável
pelo teatro) escreve ao Visconde de Vergueiro (em Paris),
falando sobre o pintor. Acatando a iniciativa do arquiteto,
o Visconde convida Calixto para estudar em Paris às suas expensas.
Parte
para a Europa em janeiro de 1883 - Paris: 1º - atelier de
Jean François Raphaelle, de estilo impressionista. 2º - Academia
Julien, a conselho de Victor Meireles, que na época morava
em Paris. Foram seus professores: Fobert Fleury, Gustave Boulanger,
Jules Lefréve e Borgoural, representantes típicos do academismo
eclético dominante na época. Na França, conquista o 2º lugar
no concurso de esboços sobre temas históricos, com a tela
Uma Cena do Dilúvio.
Retorna
ao Brasil em fins de 1884, por saudades e comprometimento
com a família e pela preocupação com a cólera que se tornou
epidemia em Paris.
Em
outubro de 1885, o vapor francês Ville de Pará
naufraga com 7 quadros do pintor.
Monta
atelier em São Vicente (obras de inspiração religiosa e histórica,
paisagens, marinhas e cenas de costumes).
De 1890 a 1894, vive em São Paulo.
Em 1897, constrói sua residência em S. Vicente, na Rua Martim
Afonso, 192 e instala ali seu ateliêr de pintura. Lá ergueu um enorme mastro de navio onde
pendurou grandes velas brancas com as cruzes das caravelas
quinhentistas para estudá-las e pintá-las posteriormente.
Adornou o teto do ateliêr com um painel intitulado Alegoria
à Música.
VERSATILIDADE:
Foi pintor, decorador, professor e historiador. Gostava também de
astronomia. Compôs gráficos da órbita traçada pelo cometa
Halley, observado em 1910, entregues ao observatório astronômico
de S. P.
Fundou, em 1888, a casa Gabinete de Leitura (agremiação cultural)
em Itanhaém.
PUBLICOU
ESTUDOS E ENSAIOS HISTÓRICOS, ENTRE OS QUAIS:
Bartolomeu de Gusmão e seu Tempo; Brás Cubas;
Costumes de Minha Terra; Relíquias Históricas
de São Vicente; A Vila de Itanhaém (1895);
Capitanias Paulistanas (1895); A Vila de
Santo André da Borda do Campo (1908 - 10); A Igreja
e o Convento de Itanhaém (1915).
Seus trabalhos como historiador foram elogiados por Rui Barbosa,
num discurso que proferiu em Santos. . Existem artigos históricos
seus transcritos na Revista do Instituto Histórico e Geográfico
de S. P. e na Revista do Museu Paulista (há uma listagem das
principais no livro B. Calixto Imortalidade, autor
Milton Teixeira, págs. 104, 105).
Foi sócio do Instituto Histórico e Geográfico de S. Paulo;
do Centro de Ciências, Letras e Artes de Campinas e de vários
institutos congêneres no Brasil. Sócio-correspondente do Instituto
Histórico do Paraná, de Sta Catarina e do Rio de Janeiro.
Amigo de Júlio Conceição, 1º presidente do Instituto Histórico
e Geográfico de Santos.
Produziu também obras literárias sobre arte clássica, antropologia,
geometria e crônicas sobre vários assuntos.
Foi catedrático de desenho e história, na Escola de Comércio
José Bonifácio, em Santos. Lecionou também no Liceu Feminino
Santista e na Escola Tarquínio Silva. Em 1885, ocupou a cadeira
de desenho no Colégio Azurara.
NA PINTURA:
Representante
do realismo acadêmico, compôs com Oscar Pereira da Silva e
Pedro Alexandrino a trindade dos mestres paulistas do 1º quartel
do século. Outro nome que se destacou foi o de Almeida Jr.
Pintava vários quadros bastante parecidos, utilizando-se de
um único estudo para a produção de mais de uma obra.
PARTICIPAÇÃO
EM SALÕES OFICIAIS:
Salão
Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, em 1898, apresentando
Vista Panorâmica de Santos; e em 1900.
I Exposição Brasileira de Belas-Artes (1911-12), promovida
pelo Liceu de Artes e Ofícios de S.P.
Sofreu algumas críticas negativas, como a publicada pelo Estado
de São Paulo em dez. 1890.
Um fator que pôde talvez interferir na arte de Calixto foi
o elevado número de encomendas.
Diz-se que foi o isolamento que o impediu de participar com
freqüência do Salão Nacional de Belas Artes; seu nome surge
apenas duas vezes: em 1898 (medalha de ouro de 3ª classe)
e em 1900. Também pouco participou de exposições internacionais,
à exceção da Exposição de Saint Louis (1904) na qual conquistou
também medalha de ouro.
Em 1907, em Belém do Pará, expõe e vende todos os quadros.
PODE-SE
DIVIDIR A ATIVIDADE ARTÍTICA DE
CALIXTO EM TRÊS FASES:
1. Paisagens marinhas;
2. Temas
históricos;
3. Assuntos
religiosos;
Seu último grande trabalho foi a pintura do interior da Matriz de
São João da Bocaina. Sentia a morte próxima e pensava que
não terminaria seu trabalho. Conseguiu, porém, terminá-lo.
Em 1924, recebe do Papa Pio XI a Cruz da Ordem de São
Silvestre, ofertada em gratidão por seus trabalhos religiosos.
VÁRIAS
IGREJAS POSSUEM DECORAÇÕES SUAS:
Igrejas de Santa Efigênia, Consolação e Sta Cecília em S. Paulo;
Igreja de Catanduva (livreto no acervo da biblioteca); Matriz
de S. João Batista, em Bocaina, Catedral de Santos.
ACERVOS
EM SANTOS:
Bolsa do Café;
Associação Comercial;
Prefeitura;
Câmara Municipal;
Instituto Histórico e Geográfico;
Catedral.
DECORAÇÕES
EM CIDADES DE SÃO PAULO:
Santos,
Ribeirão Preto, Bocaina, Amparo e São Carlos.
Foi o criador do atual brasão da cidade de Santos (descrição
detalhada na pasta Calixto - biblioteca). Criou igualmente
os brasões de S. Vicente e Itanhaém.
Foi o responsável pela decoração do 1º Carnaval oficial de
S. Vicente.
Autor do Monumento Comemorativo do IV Centenário da Descoberta
do Brasil, em S. Vicente, na Praça 22 de Janeiro.
Seu túmulo, no Cemitério do Paquetá, é tombado pelo CONDEPASA.
CONTEXTO
HISTÓRICO:
Transformação
do meio urbano e rural paulista entre a metade do séc. XIX
e as primeiras décadas deste.
Calixto documenta a transição de uma paisagem de traços coloniais,
derivada de uma economia essencialmente agrícola, para uma
maior concentração urbana, fruto da industrialização nascente.
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